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| 07/09/2006 |
FECHADO PARA BALANÇO
Já não é a primeira vez que faço isso que vou fazer agora. Fechar este blog pra balanço.
Minha vida nestes três últimos anos tem sido como a lenda de Sísifo. Pra quem nunca ouviu falar eu vou comentar um pouquinho.
A lenda de Sísifo é pertencente à mitologia grega. Sísifo era rei de Corinto e muito famoso por sua astúcia. Certa vez Sísifo descobriu que Zeus havia raptado Egina, filha de Asopo, deus dos rios. Como faltava água em suas terras, Sísifo teve a idéia de contar o paradeiro de Egina para Asopo desde que este lhe desse em troca uma nascente. Desesperado, Asopo aceitou a proposta e deu à Sísifo uma nascente que conforme o prometido revelou que Egina foi sequestrada por Zeus.
Sísifo conseguiu água, mas em compensação arrumou outro problema que era a fúria de Zeus. Este, como castigo, ordenou a Morte que buscar Sísifo. Muito astuto, como sempre, Sísifo começou a elogiar a Morte e conseguindo adulá-la, pediu para lhe colocar um colar, que na verdade era uma coleira, a qual Sísifo usou para manter a morte presa.
Durante algum tempo não morreu ninguém e Sísifo conseguiu enganar o seu destino. Entretanto, arrumou problemas com outros deuses, como Hades, deus das almas e do inconsciente, e com Ares, deus das guerras. Ambos precisavam dos serviços da Morte para consumar suas guerras e obter as almas.
Logo que ficou sabendo do acontecido, Hades libertou a Morte e ordenou que trouxesse Sísifo imediatamente para o inferno. Antes de morrer Sísifo pediu a sua mulher que não enterrasse seu corpo.
No inferno, Sísifo reclamou com Hades a falta de respeito da sua esposa e pediu à Hades que ele pudesse voltar ao seu corpo para puder se vingar de sua mulher e realizar os rituais fúnebres, logo depois ele voltaria ao inferno. Hades lhe concedeu este pedido. Sísifo retomou seu corpo e fugiu com a esposa, fugindo pela segunda vez da Morte.
Viveu muitos anos escondido, até que finalmente morreu. Quando Hades lhe viu, reservou à Sísifo um castigo especial. Condenou-o a empurrar uma enorme pedra até o alto de uma montanha. Antes de chefar ao topo, porém, a pedra rolava para baixo, obrigando-o a retomar sua tarefa, até o fim dos tempos.
Ultimamente, tenho vivido como Sísifo. Quando as coisas apertam eu pulo fora e recomeço tudo de novo. Cansei de ser assim. A vida não anda. A todo o momento eu estou começando algo novo, mas nunca terminando. Já começo a perceber que quanto mais a idade avança, mais difícil fica de recomeçar. Quero me dedicar desta vez para caso eu desista, eu possa dizer a mim mesmo: Fiz tudo o que podia ser feito, não dá, vou pra outra.
Por isso quero me dedicar integralmente a este meu novo objetivo e dar uma pausa no blog. Podem ter certeza que continuarei visitando o blog dos meus amigos e quando resolver voltar vou avisar a todo mundo.
Quero agradecer a todos que sempre gastaram alguns minutinhos lendo as minhas lamentações e fazendo comentários me incentivando.
Por enquanto, beijo pras mulheres e abraço pros homens.
Escrito por Bruno Kenzo às 18h51
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| 03/09/2006 |
Click
Recado: Quem não tiver assistido ao filme Click do Adam Samdler, não leia este post.
Acabei de assistir aquele último filme do Adam Samdler, Click, que tem sido super divulgado pela mídia. A história do filme (bem, vou tentar contar de um modo que não estrague o filme pra quem ainda não assistiu) fala sobre um arquiteto que ganha de presente um controle remoto que pode passar a vida de uma pessoa com se estivesse assistindo à um DVD em casa. Daí, pode-se rever o primeiro beijo, a primeira namorada, o momento do próprio nascimento e inclusive pular as partes ruins da vida: brigas, trânsito, doenças...
O personagem de Adam Samdler, passa a pular todas as etapas ruins da sua vida e passa a viver só as coisas boas. Mas depois de um tempo, começa a perceber que a sua vida passa a piorar pois, ao invés de resolver as coisas, ele simplesmente as ignora e só se preocupa com o que há de bom na sua vida.
Isso sem dúvida me tocou muito sob diversos aspectos. Um deles é o fato de muitas vezes abdicarmos da nossa vida pessoal em prol de objetivos profissionais. Por muitas vezes deixamos de viver várias experiências boas em troca de algo que está lá na frente e que nós nem sabemos ao certo se iremos alcançá-lo.
Outra coisa interessante e a grande lição que ficou para mim é a questão referente ao nosso costume de adiarmos a resolução dos nossos problemas durante várias e mais várias vezes. Todo mundo sempre procura fugir dos problemas que são a parte ruim da nossa vida e só deseja viver as coisas boas e se esquece que para atingirmos essa parte, temos de superar os obstáculos e problemas do nosso dia-a-dia.
Hoje eu me encontro exatamente nesta situação. Adiei, adiei diversas coisas na minha vida e agora ela está de um jeito que eu não queria. Desordenada, sem perspectiva, infeliz, desanimada. Tudo isso pelo vício de protelar as soluções de meus problemas. Eles sempre existem e não adianta, por mais que a gente tente desviar deles, eles estarão ao nosso redor. Quanto mais nós adiamos a resolução deles, mais a nossa vida muda, e pra pior.
Isso porque depois de um tempo, quando você chega a um determinado ponto, observa com mais clareza que os seus problemas, se tornaram desastres. Coisas que poderiam ter sido resolvidas com simples ações se transformam em situações difíceis de resolver que exigirão um dedicação muito maior de energia e de tempo.
Tomo como exemplo a minha pós-graduação. Já estou entrando no meu terceiro ano de mestrado e durante quase um ano e meio eu protelei. Todos os dias olhava para a dissertação e não escrevia. Sempre pensando: Isso é um saco, depois eu resolvo. E assim foi durante meses.
Hoje, a situação é diferente. Tenho de sobra um mês para entregá-la, ser corrigida e defendê-la perante uma banca. E sabe qual a minha situação? De total desânimo.
Fiquei pensando nesta situação e descobri que o que vivo hoje faz parte de um vício que venho alimentando a vida inteira e que agora me colocou em maus lençóis. Protelar. Eu protelo desde que me conheço por gente. Pra tudo quanto é coisa. Desde que entrei no primeiro período do meu curso, pensei em desistir dele por todos os períodos, mas não o fiz, e acabei formando. Fiz especialização. E agora mestrado. Mas sabe quando você vai vivendo algo que você não deseja até um momento que você não suporta mais? Pois é, acho que cheguei neste ponto.
Não devia ter chegado aqui, mas deixei sempre pra depois e agora a vida está me dizendo: Resolva.
Não sei se vou continuar a minha carreira, ou no mestrado. Se não me desligarem, eu ganho mais uma chance de terminar meu trabalho, se desligarem, eu ganho uma oportunidade de recomeçar algo novo.
A roleta está girando, vamos ver em qual número ela vai parar.
Beijo pras mulheres e abraço pros homens.
Escrito por Bruno Kenzo às 16h44
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